Governadores criticam fim da escala 6×1 e alertam para “desastre econômico”

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A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa pôr fim à escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) foi alvo de críticas durante o Canal Livre. O debate reuniu os governadores Eduardo Leite (PSD-RS), Ratinho Júnior (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (PSD-GO), que foram unânimes em classificar a medida como inoportuna, economicamente inviável para o atual cenário brasileiro e de caráter estritamente eleitoreiro. Os três são pré-candidatos à Presidência.

A discussão foi pautada pelos jornalistas Fernando Mitre e Fernando Schüler, que questionaram a bancada sobre a estagnação histórica do crescimento econômico nacional e como a possível redução da jornada de trabalho dialogaria com a urgência de aumentar a produtividade do trabalhador brasileiro.

Baixa produtividade e a comparação internacional

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, abriu as respostas traçando um diagnóstico preocupante: a produtividade do trabalhador brasileiro cresceu, em média, apenas 0,5% ao ano nas últimas décadas, muito atrás de vizinhos como o Chile (1,5%) e de potências como Estados Unidos e Coreia do Sul (3%).

Para Leite, a solução para o país passa por reformas estruturais, como investimento pesado em educação (escola em tempo integral, ensino profissionalizante), desburocratização — citando a Lei de Liberdade Econômica de seu estado — e concessões de infraestrutura. Sobre a escala 6×1, o tucano foi enfático ao comparar o Brasil a nações desenvolvidas.

“A Europa avançou na discussão de redução de jornada de trabalho depois de atingir mais de 40 mil dólares de renda per capita. O Brasil gira em torno de 10 mil. Nessas condições de baixa produtividade, estabelecer isso legalmente e imediatamente seria um desastre do ponto de vista econômico”, afirmou Leite.

Ele ressaltou que, embora o desejo de “trabalhar menos e ganhar mais” seja universal, a imposição da medida limitaria a geração de riqueza e o preço seria pago pelo próprio trabalhador através da perda de oportunidades.

O impacto no pequeno comércio e o modelo de “hora trabalhada”

O governador do Paraná, Ratinho Júnior, defendeu uma flexibilização radical das leis trabalhistas, sugerindo a adoção de um modelo baseado em “hora trabalhada”, semelhante ao aplicado nos Estados Unidos e no Japão. “Se eu quero trabalhar 20 horas por semana, o problema é meu. Se quero trabalhar 60, o problema é meu. Deixe o cidadão livre para tomar a decisão”, argumentou.

Ratinho Júnior alertou para a falta de debate sobre o impacto da PEC nos pequenos negócios, que respondem por cerca de 65% dos empregos no país. “Como fica o dono de um açougue com dois funcionários? Se entrar essa escala, ele vai ter que contratar no mínimo mais dois. Ele dobra o custo de folha [de pagamento] e não aumenta o volume de vendas”, exemplificou o governador, ressaltando que a proposta ignora a realidade econômica dos pequenos comércios e restaurantes de bairro.

“Armadilha eleitoral” e críticas ao Governo Federal

O tom mais duro do debate veio do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que tratou a pauta como uma manobra política irresponsável. Caiado questionou o momento em que a PEC ganha tração, a um ano das eleições municipais (contextualizando com a atuação de deputados na formulação da proposta).

“Você acha que algum deputado ou senador, em ano eleitoral, vai votar contra uma tese que diz ‘você vai trabalhar menos e ganhar a mesma coisa’? É uma proposta demagógica, irresponsável, com o intuito de cativar voto”, disparou Caiado.

O governador goiano isentou os parlamentares da culpa direta, transferindo a responsabilidade para a falta de liderança do Executivo federal. “Não tem responsabilidade de ser Presidente da República. A gravidade não é o 6×1, é a irresponsabilidade de um presidente que sabe que a campanha vai ser botando o [Guilherme] Boulos lá para falar”, criticou, referindo-se ao deputado federal do PSOL, um dos defensores do fim da escala.

Caiado concluiu sua fala fazendo um balanço pessimista da competitividade brasileira no cenário global. Segundo ele, excetuando o agronegócio, o Brasil perdeu a capacidade de competir na manufatura, na geração de energias renováveis e na inteligência artificial devido a legislações retrógradas, culpando os “cinco mandatos do PT” pela queda de relevância do país no bloco dos BRICS.

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