Cármen Lúcia diz estar triste e consternada durante sessão do STF

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Ministra fez declaração durante análise de mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro no Caso Master.

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia afirmou estar “em estado absoluto de consternação e tristeza” durante a sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (15), no plenário da Corte.

A declaração ocorreu durante o julgamento do relatório da Polícia Federal que reúne mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.

Durante a sessão, Cármen Lúcia também afirmou estar envergonhada com o momento vivido pelo país, que está a poucos dias das eleições.

“Eu me sinto envergonhada, em um momento que o Brasil está há 20 dias das eleições, o Brasil inteiro está concentrado em debates do Supremo”, declarou.

Reações antes e durante o julgamento

Na véspera da sessão, Alexandre de Moraes negou ter mantido conversas com Vorcaro e classificou as acusações como “diálogos fantasiosos”.

Segundo Moraes, 90,4% das anotações encontradas no bloco de notas do banqueiro não constavam em conversas reais do WhatsApp.

Em uma petição encaminhada à Presidência do STF, o ministro também acusou o relator do caso, André Mendonça, de agir com fins eleitorais. Moraes afirmou ainda que o julgamento seria uma tentativa de “vingança” de aliados de pessoas condenadas pelos atos de 8 de janeiro.

Mendonça, por sua vez, prestou esclarecimentos ao presidente do STF, Edson Fachin, sobre a Operação Compliance Zero.

O ministro afirmou que recebeu delegados em seu gabinete por cautela, após relatórios citarem os nomes do diretor-geral da Polícia Federal e do procurador-geral da República em anotações de Vorcaro.

Fachin determina retirada do sigilo

A crise no Supremo ganhou novos desdobramentos na quinta-feira (10), quando Edson Fachin determinou que André Mendonça retirasse o sigilo das investigações relacionadas ao Caso Master.

Mendonça cumpriu a decisão na mesma noite, permitindo o acesso público aos autos do processo.

A abertura dos documentos revelou relatórios da Polícia Federal sobre a frequência de mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Os autos também apresentaram informações sobre o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master.

Disputa pela divulgação dos documentos

Na sexta-feira (11), Alexandre de Moraes e a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitaram o levantamento total do sigilo dos procedimentos e documentos relacionados ao caso.

Moraes acusou Mendonça de fazer uma “escolha seletiva” na divulgação dos inquéritos e de omitir 180 documentos.

Em resposta, Fachin deu prazo de 24 horas para que Mendonça retirasse todo o sigilo do caso.

Mendonça negou ter ocultado documentos e classificou como “imprestável” a tabela apresentada por Moraes. Segundo ele, as divergências estavam relacionadas ao funcionamento do sistema eletrônico.

PF envia dados do celular de Vorcaro

Entre domingo (13) e segunda-feira (14), a Polícia Federal enviou dados do celular de Daniel Vorcaro aos gabinetes de Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

As equipes dos três ministros organizaram uma força-tarefa para analisar o conteúdo e confrontar as informações apresentadas por Mendonça.

O objetivo era mapear as interações e verificar se houve possíveis omissões no relatório inicial levado ao plenário.

Na segunda-feira, Mendonça também atendeu a uma determinação de Fachin e retirou o sigilo da rede de pagamentos de Vorcaro, após manifestação favorável da PGR.

Na mesma data, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou transações do Caso Master envolvendo autoridades com foro privilegiado.

O órgão informou ter separado dados relacionados a autoridades do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do STF por causa de restrições legais.

Novas suspeitas e desdobramentos políticos

O material analisado no caso também revelou, segundo os documentos citados, suspeitas envolvendo o ministro Dias Toffoli.

Relatórios da Polícia Federal apontaram ainda que um grupo de policiais receberia pagamentos para violar sistemas e que integrantes da cúpula de supervisão do Banco Central prestariam consultoria a Vorcaro.

A PF também indicou que aliados do ex-banqueiro teriam acionado o PCC para protegê-lo na prisão após a detenção, em novembro de 2025.

No campo político, o senador Flávio Bolsonaro passou a ser investigado no inquérito Dark Horse após a Polícia Federal apontar que ele teria se encontrado com Vorcaro antes de um áudio.

Em resposta, Flávio classificou as apurações como “mais do mesmo”. Ele afirmou que buscava patrocínio privado para um longa-metragem e acusou a investigação de criar uma “cortina de fumaça” com viés eleitoral.

A Polícia Federal também indicou que Eduardo Bolsonaro teria orientado remessas de R$ 134 milhões para um fundo nos Estados Unidos.

Após a determinação de retirada do sigilo do Caso Master, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, caso Moraes e Mendonça sejam considerados culpados, deverão ser responsabilizados.

Resumo da Notícia

  • Cármen Lúcia afirmou estar em estado de consternação e tristeza durante sessão do STF.
  • A declaração ocorreu no julgamento de relatório da PF sobre mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
  • O caso envolve disputa entre ministros sobre sigilo, documentos e condução das investigações.
  • Fachin manteve o julgamento e determinou a divulgação de documentos relacionados ao Caso Master.
  • Relatórios também apontaram possíveis desdobramentos envolvendo autoridades, policiais e políticos.

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