Debate na Band tem propostas, divergências e críticas a candidatos ausentes

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Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado apresentaram propostas e criticaram a ausência de Flávio Bolsonaro, Lula e Romeu Zema

 

O Grupo Bandeirantes realizou, neste domingo (23), o primeiro debate com os candidatos à Presidência da República. O encontro contou com a participação de Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). Flávio Bolsonaro (PL), Lula (PT) e Romeu Zema (Novo) não compareceram.

 

Confira os principais destaques de cada candidato

 

Augusto Cury (Avante)

Na área da Educação, Cury criticou o modelo vigente no país, que classificou como “cartesiano”. Ele defendeu a maior inclusão de pessoas neurodivergentes nas salas de aula e apontou como focos de sua candidatura o desenvolvimento dos professores e o estímulo ao raciocínio lógico e à capacidade intelectual dos alunos.

 

Na economia, defendeu a continuidade de políticas assistenciais, como o Bolsa Família. Cury abordou questões como burnout, estresse e problemas de saúde física e mental decorrentes da carga de trabalho e defendeu a escala 5×2.

 

“A escala 6×1 atende determinados setores da economia. O que nós temos que fazer, na minha opinião, é ajustar para atender às necessidades dos trabalhadores e também às necessidades das empresas”, disse.

 

Cury afirmou que é necessário incentivar a população a construir o próprio caminho e apresentou propostas para a economia. Entre as medidas, prometeu financiar mais de 10 milhões de microempresas caso seja eleito.

 

Para colocar o plano em prática, sugeriu a divisão do BNDES em duas estruturas independentes: uma destinada ao atendimento de grandes empresas e outra voltada exclusivamente ao apoio de micro e pequenas empresas.

 

Em resposta a uma pergunta da jornalista Thays Freitas sobre as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, o escritor defendeu que o país mantenha boas relações com os norte-americanos. “Por trás desse tarifaço há um desespero enorme em resolver as contas públicas federais americanas.”

 

Ele afirmou que pretende pacificar as relações entre os dois países. “Eu sempre fui o homem da pacificação. Eu sei como conversar de igual para igual, nunca vai ser uma relação subserviente.”

 

Cury avaliou que Renan Santos exagera em suas propostas para a segurança pública. “Olha, Renan, você tem um nível de agressividade que me assombra”, rebateu.

 

O candidato também propôs fortalecer a Polícia Federal, que, segundo ele, não deve sofrer interferência política.

 

A proteção das mulheres foi um dos temas de destaque do debate. Augusto Cury apresentou dados sobre a violência contra a mulher e afirmou que uma mulher é assassinada a cada cinco ou seis horas no país. Segundo os números citados por ele, foram 1.571 vítimas no último ano.

 

Renan Santos (Missão)

 

O candidato do Missão afirmou que, em seu primeiro dia de governo, iniciará “um banho de sangue contra as facções”.

 

“Estados e governos estaduais que não aplicarem medidas efetivas contra o crime organizado serão alvo de intervenção”, continuou, citando Rio de Janeiro, Ceará e Bahia como exemplos.

 

Santos também defendeu o uso da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em localidades dominadas pelo narcotráfico. Como segundo pilar, propôs a construção de unidades prisionais de segurança máxima. O projeto prevê a abertura de 300 mil a 500 mil vagas no sistema penitenciário nacional.

 

Renan também criticou o Partido dos Trabalhadores, afirmando que a sigla de esquerda quer concentrar o poder na área de segurança pública.“O PT quer segurar a polícia, ele é inimigo das polícias em todos os estados”, disse.

 

Na economia, afirmou que pretende promover uma reforma de competitividade, incluindo alterações na legislação trabalhista que facilitem a contratação de empregados por hora trabalhada.

 

Renan Santos criticou a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1. Segundo ele, a medida apoiada pelo governo Lula (PT) é inviável e não trará os resultados esperados. Também acusou a atual gestão de fazer promessas que não podem ser cumpridas para conquistar o eleitorado.

 

“O maior inimigo do trabalho disse que você vai trabalhar menos e vai ganhar mais. Este mesmo cara falou que você ia comer mais picanha. Esse mesmo cara, na maior tranquilidade, falou que ia taxar as blusinhas e os eletrônicos e você não ia pagar o preço”, disse.

 

Na educação, o candidato do Missão criticou a condução do setor no país. Ele destacou os índices de analfabetismo funcional e defendeu uma reformulação significativa do ensino básico e da formação dos estudantes. Outro questionamento feito foram os investimentos na área, onde Renan opinou que há um desequilíbrio nos repasses orçamentários.

 

“Por mais que o Brasil gaste no ensino superior o que se gasta nas nações da OCDE, no ensino básico a gente gasta muito pouco. A gente está financiando universidades públicas caríssimas que não estão melhorando o nosso desempenho nos rankings internacionais”, apontou.

Ronaldo Caiado (PSD)

 

O âncora Eduardo Oinegue perguntou a Caiado sobre o cenário fiscal brasileiro. Em resposta, o ex-governador de Goiás apresentou propostas que envolvem o controle de despesas e da inflação, além da redução da taxa de juros.

 

O candidato do PSD criticou a atual gestão federal por “expulsar” empresários geradores de empregos para o Paraguai.

 

Caiado defendeu a retomada da “autoridade moral” como caminho para fortalecer a economia brasileira. Segundo ele, a combinação desse princípio com um “choque de credibilidade” seria capaz de criar um ambiente mais favorável ao empreendedorismo no país.

 

Ao abordar a Educação, mencionou que sua gestão em Goiás, baseada em parcerias diretas com as prefeituras e na unificação curricular, resultou em sete das dez melhores escolas de ensino médio do Brasil.

 

“Educação é aquilo que eu me empenhei desde o segundo ano do ensino fundamental. Eu criei uma criança junto aos prefeitos e prefeitas para levá-los em condições de serem competitivos. Nós ganhamos os maiores concursos no Estado, fora do estado comparativamente”, disse.

 

Sobre a segurança pública, Caiado sugeriu ao Congresso Nacional um projeto de lei para confiscar bens de agressores de mulheres. Em sua argumentação, declarou que o Brasil vive atualmente um “clima de guerra”.

 

“Se não tiver segurança pública, não tem governabilidade. O Brasil é um país que vive hoje um clima de guerra, a maior parte do território brasileiro está totalmente confiscado pelas facções criminosas”, afirmou.

 

O político deixou claro que não pretende retirar a autoridade dos governadores, mas autorizá-los a legislar sobre segurança pública em seus estados.

Caiado também afirmou que pretende indicar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya para um eventual Ministério da Segurança Pública.

 

Ausência de Flávio, Lula e Zema

 

A ausência dos candidatos mais bem posicionados nas pesquisas dominou boa parte do debate e dos bastidores do evento. Em diversos momentos, os candidatos presentes criticaram o não comparecimento dos demais convidados.

 

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