Tragédia da Lagoa: 51 anos depois, memória de uma das maiores tragédias de João Pessoa permanece viva

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Por Michelle Meira — Reportagem FAROL TV

Há histórias que o tempo não consegue apagar.

Neste 24 de agosto de 2026, João Pessoa completa 51 anos de um dos episódios mais dolorosos de sua história: a Tragédia da Lagoa, ocorrida em 24 de agosto de 1975, no Parque Solon de Lucena, no Centro da capital paraibana.

Naquele domingo, durante as comemorações da Semana do Soldado, uma portada militar M-2, utilizada em passeios pela Lagoa, naufragou diante de uma multidão.

O que deveria ser uma atração para famílias e crianças transformou-se em uma tragédia. Segundo registros históricos e reportagens publicadas pelo Jornal da Paraíba, 35 pessoas morreram. Entre as vítimas estavam 20 crianças de até 12 anos, quatro adolescentes e 11 adultos. (Jornal da Paraíba⁠)

Uma tarde que mudou a história da cidade

A Lagoa do Parque Solon de Lucena era, naquele período, um dos principais pontos de encontro e lazer de João Pessoa. A exposição militar despertou grande curiosidade da população, especialmente das crianças.

A portada realizava passeios pela Lagoa ao longo do dia. No último passeio, porém, a embarcação começou a naufragar.

O mecânico aposentado João Bosco de Andrade, que tinha 20 anos na época, estava dentro da embarcação e conseguiu sobreviver. Cinquenta anos depois, ele ainda recordava os acontecimentos daquele dia e descreveu como tudo aconteceu rapidamente. (Jornal da Paraíba⁠) O inquérito militar estimou que havia entre 100 e 120 pessoas na portada durante o último passeio. O documento apontou que não havia coletes salva-vidas e concluiu que o naufrágio teria sido provocado por um início de pânico e pelo deslocamento das pessoas dentro da embarcação. (Jornal da Paraíba⁠)

Uma cidade inteira diante da tragédia

Quando a notícia se espalhou, milhares de pessoas correram para as margens da Lagoa.

Bombeiros, policiais, militares e voluntários participaram dos trabalhos de socorro. O resgate continuou durante a noite e avançou pelo dia seguinte.

O tenente aposentado do Corpo de Bombeiros Edmilson Antônio dos Santos, que tinha 29 anos na época, participou dos trabalhos de resgate dos corpos. Décadas depois, ele ainda relata o impacto daquela experiência. (Jornal da Paraíba⁠)

Fotografias preservadas pelos acervos históricos mostram a dimensão da mobilização popular e o trabalho dos bombeiros. Parte dessas imagens foi publicada pelo extinto Jornal O Norte e pelo jornal A União e atualmente integra acervos históricos do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. (Jornal da Paraíba⁠)

Uma história que não pode virar apenas uma lembrança distante

Mais de cinco décadas depois, a Tragédia da Lagoa continua sendo lembrada por sobreviventes, testemunhas, familiares e profissionais que participaram dos resgates.

O historiador Ângelo Emílio defende que a cidade preserve oficialmente essa memória e considera importante a criação de um memorial dedicado às vítimas. Para ele, lembrar o episódio é também uma questão de cidadania e de direito à memória. (Jornal da Paraíba⁠)

A própria Justiça Federal da Paraíba preserva documentos relacionados aos processos movidos pelas famílias das vítimas. Parte desse material integra o Memorial da JFPB, permitindo que novas gerações tenham acesso aos registros daquele período. (Jornal da Paraíba⁠)

Antes dos números, existiam vidas

A FAROL TV entende que recordar a Tragédia da Lagoa não significa explorar a dor de quem sofreu.

Significa lembrar que, por trás dos números, existiam pessoas, famílias, sonhos e histórias.

Significa também reconhecer os sobreviventes e todos aqueles que, diante do desespero, tentaram salvar vidas.

Não foi lenda. Aconteceu.

E uma cidade que preserva sua memória também aprende com o passado.

FAROL TV quer ouvir você

A FAROL TV está reunindo relatos para uma reportagem especial sobre a Tragédia da Lagoa.

Você estava na Lagoa naquele 24 de agosto de 1975?

É sobrevivente, testemunha, familiar de uma das vítimas ou possui fotografias, jornais, documentos ou lembranças daquele dia?

Entre em contato com a FAROL TV.

Sua memória pode ajudar a preservar a história de João Pessoa.

FAROL TV

Memória que ilumina. História que transforma.

Reportagem: Michelle Meira

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